quinta-feira, 15 de outubro de 2009

AOS MEUS ALUNOS


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Professora Marlene
















quinta-feira, 8 de outubro de 2009

3 col. - Volume 3

ATIVIDADE RÍTMICA: MANIFESTAÇÕES E REPRESENTAÇÕES DA CULTURA RÍTMICA NACIONAL –O SAMBA
Tratar do processo histórico do samba é remeter à lembrança da capoeira, cabendo refletir e questionar: o samba surgiu aqui ou na África? Suas características são as mesmas de várias danças africanas? Era um refúgio para o escravo matar a saudade de sua terra de origem ou um meio de disfarce do momento da luta em que o negro escravizado ludibriava, com o movimento da ginga, o capitão do mato pouco antes do ataque? Qual a relação, enfim, dos ritmos e gestos particulares do samba com a escravização de pessoas oriundas de diferentes países do continente africano, já que havia dificuldade de diálogo no cativeiro, em virtude dessa diversidade cultural? Com base nessas reflexões, nota-se como é complexa a origem do samba. Nesse processo estão imbricadas outras manifestações, como o jongo, o lundu e o maxixe, representações africanas presenciadas no Brasil, além do próprio samba. O lundu é possivelmente o primeiro ritmo afro-brasileiro em forma de canção acompanhada de dança e que, com o maxixe, influenciou o samba baiano. Já o jongo, que tem semelhanças com o semba/masemba, de Angola, precursor do samba, faz parte do conjunto das danças de umbigada que influenciaram o samba carioca. O jongo é uma forma de louvação aos antepassados, de consolidação de tradições e afirmação de identidades. Tem suas raízes nos saberes, nos ritos e nas crenças dos povos africanos, principalmente os de idioma banto. São sugestivos dessas origens o profundo respeito aos ancestrais, a valorização dos enigmas cantados e o elemento coreográfico da umbigada, que é um “toque leve” na região do umbigo, uma espécie de convite à dança. No Brasil, o jongo consolidou-se entre os negros escravizados que trabalhavam nas lavouras de café e cana-de-açúcar no Sudeste brasileiro, principalmente no vale do rio Paraíba. Nos tempos da escravidão, a poesia metafórica do jongo permitiu aos praticantes da dança que se comunicassem por meio de pontos que os capatazes e os senhores não conseguiam compreender. Sempre esteve, assim, em uma dimensão marginal, em que os negros falam de si e de sua comunidade por meio da crônica e da linguagem cifrada. Tambu, batuque, tambor, caxambu: o jongo tem diversos nomes. Ele é cantado e tocado de diversas formas, dependendo da comunidade que o pratica. Se existem diferenças de lugar para lugar, existem também semelhanças, características comuns presentes em muitas de suas manifestações. O termo “samba” tem sua origem associada à expressão angolana “semba”, que designa um ritmo religioso. O primeiro samba gravado em disco, intitulado Pelo telefone, foi registrado pelo cantor e compositor Donga. Assim, o samba refere-se a um estilo musical e a uma forma de dança e, ao identificar seus vários subgêneros, percebe-se uma ligação direta com os instrumentos musicais utilizados. No jongo, iniciado o toque dos tambores, forma-se uma roda de dançarinos que cantam em coro, respondendo ao solo de um deles. Os tambores e os batuqueiros estão sempre na roda ou perto dela. Sozinhos ou em pares, os praticantes vão ao centro da roda e dançam até serem substituídos por outros jongueiros. Muitas vezes, neste momento da substituição, nota-se o elemento coreográfico da umbigada. Dança-se conforme se sabe. Uns dançam rodando, outros pulando ou arrastando os pés. Uns dançam devagar, outros rapidamente. Em cidades como Taubaté, São Luís do Paraitinga, Pindamonhangaba e Cunha, encontram-se alguns redutos de jongueiros do Vale Paulista (Vale do Paraíba). O jongo é estruturado em roda e acontecia nos terreiros, próximo ou ao redor de uma fogueira. Hoje é possível assistir a apresentações em praças públicas. O termo “samba” tem sua origem associada à expressão angolana “semba”, que designa um ritmo religioso. O primeiro samba gravado em disco, intitulado Pelo telefone, foi registrado pelo cantor e compositor Donga. Assim, o samba refere-se a um estilo musical e a uma forma de dança e, ao identificar seus vários subgêneros, percebe-se uma ligação direta com os instrumentos musicais utilizados. As letras do samba geralmente tratam do cotidiano e, em suas raízes, remetiam ao preconceito dos europeus em relação aos rituais religiosos realizados pela população negra, como o candomblé. A forte influência do samba pode ser percebida predominantemente em alguns estados brasileiros, como na Bahia, no Rio de Janeiro e em São Paulo, locais em que a presença da mão de obra negra escrava foi mais acentuada nos engenhos e nas fazendas. Nesse sentido, tanto o samba baiano como o carioca remetem ao samba de roda. É provável que o samba de roda seja uma ramificação original da Bahia, presente nas rodas de capoeira, em forma de dança. A cantoria acompanhada por palmas é essencial nessa manifestação. Além disso, há uma variedade de expressões do Se-Movimentar no samba, como o samba-rock e a gafieira. Ambos os estilos permitem variações técnicas dos movimentos, momentos de improvisação, descoberta e prazer para quem dança e/ou aprecia essa manifestação rítmica.

Samba - Alguns subgêneros e instrumentos utilizados

Samba `comum´ Surdo ou tantã, cavaco, pandeiro, cavaquinho e violão.

Samba de roda Pandeiro, atabaque, berimbau, viola e chocalho.

Samba de partido-alto Surdo, pandeiro, tamborim, cavaquinho e violão.

Pagode Banjo, tantã, repique de mão, cavaquinho, violão e pandeiro.

Samba de breque Música intercalada com partes faladas ou diálogos.

Samba de enredo Cavaquinho e bateria de escola de samba.

Bossa nova (samba e jazz) Repique de mão e viola eletrônica.

LAZER E TRABALHO: O LAZER COMO DIREITO DO CIDADÃO E DEVER DO ESTADO
Em pesquisa realizada pelo jornal Folha de S.Paulo (apud MARCELLINO, 2006) com moradores das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro acima de 14 anos de idade sobre as práticas esportivas preferidas, são apresentados alguns números que permitem observações interessantes. A principal é a defasagem entre aqueles que declaram gostar de esporte e aqueles que efetivamente têm a oportunidade de praticá-lo. Apenas 7% dos entrevistados declararam que não apreciam nenhum esporte, número que seria animador não fosse ofato de 61% afirmarem não praticar qualquer atividade esportiva. É claro que a dificuldade de prática de atividades esportivas nos momentos de lazer por parte da população deve-se a vários motivos, sendo o principal a pouca ênfase dada às políticas de lazer, tanto públicas como privadas. Se o lazer é um direito do cidadão e um dever do Estado, cabe a este priorizar ações para prover condições efetivas de acesso a essa dimensão. Deve-se, ainda, à falta de equipamentos e locais específicos para a prática e à falta de uma Cultura do Lazer, que incorpore essa dimensão na vida de todas as pessoas. Vale ressaltar o papel das mídias que, se por um lado difundem as práticas de lazer – esportivas ou não –, por outro geram uma necessidade que não é atendida pelo poder público, causando insatisfação por parte da população. Assistir pela televisão a uma grande competição esportiva, como os Jogos Olímpicos, pode ser uma atividade enriquecedora sob vários aspectos, mas ter oportunidade e condições de praticar efetivamente algumas modalidades, participando de competições no seu bairro ou na sua cidade, mais ainda.O que a Educação Física escolar tem a ver com esses dados? A Educação Física escolar também tem uma parcela de responsabilidade na criação de uma Cultura do Lazer, transformando o gosto pelo lazer em ações que levem às oportunidades de prática efetiva. Nesse sentido, a Educação Física tem como objetivo oferecer aos alunos, ao longo das várias séries em que atua, uma educação pelo lazer e para o lazer. É importante que os conteúdos da Educação Física, que compõem a Cultura de Movimento – esporte, jogo, ginástica, luta e atividade rítmica –, tornem-se significativos aos alunos, sejam incorporados em suas vidas e possam ser usufruídos por eles em seus momentos de lazer de modo autônomo e crítico. A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, em 1948, a Declaração universal dos Direitos do Homem, reconhecendo o lazer como direito dos cidadãos. Também a Constituição brasileira de 1988 reafirma esse direito, o que demonstra a atualidade e a importância desse tema. A partir dos anos 1950, o lazer passou a ser objeto de estudos sistemáticos, configurando uma área de pesquisa e intervenção. O lazer surge como conceito na relação com o trabalho na sociedade industrial. À medida que as jornadas de trabalho foram regulamentadas nas indústrias, os operários passaram a ter um tempo de não-trabalho, no qual deveriam repor as energias para a jornada seguinte. É no contexto dessa discussão que o lazer, tanto como área de estudo quanto como indústria produtora de bens e práticas de lazer, ganha importância para estimular ou sugerir práticas não só aos trabalhadores, mas a toda a população. Nelson Marcellino, um dos principais estudiosos brasileiros do lazer, alerta sobre os juízos de valor de senso comum que associam o lazer às coisas negativas, considerando-o um não fazer ou coisa de desocupados ou, ainda,mero passatempo. Para esse autor, os valores do senso comum contrapõem lazer e trabalho, considerando o primeiro menos importante do que o segundo e útil apenas para compensar o esforço do trabalho. Esse é o risco das propostas atuais de lazer nas empresas caso sejam empreendidas na perspectiva de apenas divertir o trabalhador ou fazer com que ele compense e recupere sua força de trabalho para a continuidade da jornada. O mesmo autor atenta para dois conceitos importantes no estudo do lazer – o tempo e a atitude – que podem dar a dimensão do que caracteriza uma atividade de lazer. Segundo ele, o lazer não se caracteriza somente pelo conteúdo da ação ou pela atividade em si, como o futebol, A jardinagem ou a pescaria. Importa saber a atitude em relação à atividade e em que tempo ela ocorre. Por exemplo, atividades como o futebol, a jardinagem ou a pescaria têm outros sentidos para os profissionais que as desempenham como trabalho. Em relação à atitude: “O lazer considerado como atitude será caracterizado pelo tipo de relação verificada entre o sujeito e a experiência vivida, basicamente a satisfação provocada pela atividade” 1. Em relação ao tempo: “O lazer ligado ao aspecto tempo considera as atividades desenvolvidas no tempo liberado do trabalho, ou no „tempo livre, não só das obrigações profissionais, mas também das familiares, sociais e religiosas” 2. As difíceis condições de vida atuais nas grandes cidades, o surgimento de doenças como o estresse, os riscos à saúde causados pela obesidade e pelo sedentarismo e a necessidade de redução da jornada de trabalho a fim de que haja empregos para todos realçam a importância de atividades que sejam praticadas na dimensão do lazer na sociedade contemporânea. Mesmo reconhecendo que o lazer ainda não é disponível a todos, e que o acesso a ele depende de condições socioeconômicas, considera-se aqui sua importância como um “tempo e lugar de construção da cidadania e exercício da liberdade” (MASCARENHAS, 2003, p. 10). Dessa forma, é preciso superar a visão de lazer como recreação descompromissada, ou apenas como momento de recuperação das energias de trabalho, ou como consumo passivo de determinados produtos de lazer. É preciso superar, também, certos preconceitos, como o de que as atividades de lazer são dirigidas somente para jovens ou o de que certas atividades de lazer não podem ser praticadas por pessoas com deficiências. O lazer, na perspectiva aqui adotada, defende a autonomia do cidadão para possuir conhecimentos mínimos que propiciem a escolha e a realização de várias práticas no seu tempo livre. Defende também a importância da compreensão do lazer como controle do próprio esforço e direito ao repouso; e a formação política necessária para que todas as pessoas reivindiquem tempos, espaços e oportunidades de lazer. Nesse sentido, propõe-se um enfoque que problematiza o tema “lazer e trabalho”, a fim de propiciar aos alunos oportunidades de prática e reflexão, capazes de contribuir para a sua emancipação. CORPO NA CONTEMPORANEIDADE: A VIRTUALIZAÇÃO DO CORPO E OS JOGOS VIRTUAIS – VIDEOGAMES E JOGO DE BOTÃO Há indicadores de que os videogames estão ocupando o tempo que no passado era dedicado à música, à televisão e ao cinema. Assim, uma explicação para o sucesso dos games está no avanço tecnológico, permitindo interatividade e simulação da realidade, o que torna odivertimento interessante para todas as faixas etárias. Estima-se que aproximadamente 3 milhões de brasileiros, a maioria no Estado de São Paulo, frequentem as LAN houses (Local Area Network), lojas que permitem jogar os diversos tipos de games conectados à internet. Todo esse processo acelerado influencia não só as atividades realizadas durante o tempo livre, mas todas as relações humanas, que podem passar por uma tela (da TV ou do computador) e ter seus diálogos codificados (por teclados, joysticks ou ondas eletromagnéticas dos telefones celulares). É essa dinâmica que Pierre Lévy (1996, p.11) chama de movimento geral de virtualização, fruto do advento das novas tecnologias de comunicação e que está modificando diversas esferas da vida humana, como o trabalho e o lazer. O processo de virtualização advém do entendimento de virtual, ou seja, daquilo que existe como possibilidade: “A árvore está virtualmente na semente” (LÉVY, 1996, p.15). A invenção de novas tecnologias da informação e da comunicação (TICs) acarreta possibilidades de espaços paralelos. Em um simples click, pode-se ter uma nova vivência de uma atividade esportiva. O futebol, por exemplo, já não é mais apenas um esporte conhecido, jogado por onze jogadores em cada equipe e uma bola em um campo gramado. É também um programa televisivo, um site, um jogo de videogame etc. Nesse sentido, a virtualização não é uma “desrealização”, mas “um dos principais vetores de criação de realidade” (LÉVY, 1996, p.18). A atualização pode ser entendida como a criação de uma nova realidade, a solução para um problema de forma criativa e colaborativa, uma transformação, enfim, de ideias. É por vivenciar determinada situação que alguém cria e/ou produz as soluções necessárias para aquele momento. Desde o surgimento do videogame que simulava um jogo de tênis em 1958, criado por um funcionário do governo norte-americano, muito se avançou em termos de tecnologia. O primeiro avanço foi realizado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) nos Estados Unidos, com a criação do Space War. A partir da década de 1970, com a popularização dos equipamentos domésticos e de jogos como Pac Man e Space Invaders, hoje considerados clássicos, os videogames passaram a ter uma relação constante com os avanços tecnológicos. Dessa relação resultou a melhoria de gráficos com efeitos em terceira dimensão, trilhas sonoras e possibilidades interativas que permitem ao jogador criar suas próprias histórias e tramas, escolher seus próprios personagens e fantasias, assim como os ambientes por onde desenvolverão suas aventuras.Com novos joysticks do tipo “controle remoto”, webcams e plataformas com sensores de peso e de equilíbrio, a geração atual de videogames permite que o jogador, por meio de movimentos de seu corpo, comande as ações do personagem (que pode ser ele mesmo representado na tela). Isso abre novas e inusitadas possibilidades, pois permite a simulação de gestos esportivos, de exercícios ginásticos ou de coreografias de dança,
por exemplo, demandando e propiciando o desenvolvimento de habilidades motoras e um gasto calórico mais elevado. Atualmente, os diferentes jogos ou games atendem não apenas as crianças e os jovens,
mas os adultos também, dadas as possibilidades de jogá-los em comunicação com outros jogadores na internet, em casa ou em LAN houses. Esses jogos são parecidos com os de representação, do tipo Role Playing Game (RPG). Os novos RPGs, também conhecidos como games on-line, já contam com uma liga profissional de jogadores (World Cyber Games), que movimenta milhões de dólares em seus
campeonatos e congrega jogadores do mundo todo, inclusive do Brasil.

2 Col. - Volume 3

Educação Física 2ª Série – Ensino Médio – Tchoukball
O tchoukball surgiu de reflexões e pesquisas do doutor Hermann Brandt, um médico suíço nascido em Genebra. No início da década de 1960, Brandt cuidou de muitos atletas que se lesionavam na prática de esportes e essas lesões eram, em sua maioria, provenientes de agressões dos adversários – o que é comum em modalidades de contato. Segundo Brandt, os esportes não deveriam produzir campeões, mas contribuir para a construção de uma “sociedade humana digna”. Para isso, ele criou esse esporte, que seria uma mistura de pelota basca (esporte popular no País Basco, Espanha, mas praticamente desconhecido no Brasil), handebol e voleibol.O nome da modalidade faz alusão ao som produzido pelo contato da bola como quadro de remissão (objeto usado como meio para atingir o alvo, que, no tchoukball, é qualquer parte do campo de jogo). Esse
quadro é parecido com uma pequena cama elástica virada para a quadra. Pela ausência de contato físico entre os participantes, essa modalidade é conhecida como o “esporte da paz”. Ao criar esse novo esporte a partir de outros já existentes, Brandt diferenciou-o dos esportes mais conhecidos por quebrar alguns paradigmas. Primeiro, por não permitir o contato físico entre os jogadores sem estabelecer uma divisão do território de ataque e defesa, como acontece no voleibol, em que a rede faz a separação entre os adversários. Aqui, as duas equipes podem ocupar o mesmo espaço na quadra. Aliado a isso, está o segundo ponto diferencial: como não há contato físico, o quadro de remissão (objeto usado como meio para atingir o alvo, que, no tchoukball, é qualquer parte do campo de jogo). Esse quadro é parecido com uma pequena cama elástica virada para a quadra. Pela ausência de contato físico entre os participantes, essa modalidade é conhecida como o “esporte da paz”. não é permitido interceptar ou roubar a bola do adversário. Só se recupera a bola em três situações: por consequência do erro de passe, da marcação de ponto ou de uma defesa após o arremesso, ao final de um ataque do adversário. A defesa sempre consiste em tentar recuperar a bola (rebote) após um arremesso da
equipe adversária. Outra diferença das demais modalidades esportivas coletivas é que os dois quadros de remissão não representam o alvo a ser acertado. Porém, para que um ponto seja concretizado a partir de um arremesso (há outras formas de se conquistar um ponto que serão apresentadas adiante), é preciso que a bola toque no quadro. Dessa forma, acertar o quadro funciona como um meio para se conseguir os pontos. Assim, o alvo passa a ser a quadra toda, pois se pode arremessar em qualquer um dos dois quadros disponíveis. Como não há divisão de espaços de ataque e quadefesa, a equipe precisa estar atenta e muito bem distribuída pela quadra, além de realizar uma movimentação constante em função dos passes da equipe adversária, pois, para recuperar a bola, é preciso estar em boas condições para pegar o rebote. Destacamos as principais regras oficiais: o jogo acontece em um terreno de 40 × 20 metros (quadra oficial); a bola utilizada é a de handebol; ao todo são nove jogadores em cada equipe;ara acertar o alvo (a quadra), é necessário arremessar a bola em qualquer um dos dois quadros de remissão (quadros de 1 X 1 m, inclinados a 55°) dispostos na parte central da linha de fundo; o arremesso não pode ser feito por trás do quadro (fora da quadra); não há uma quadra ou um alvo específico a defender ou a atacar, pois os dois quadros podem ser utilizados por ambas as equipes; em frente a cada quadro, há uma área frontal, ou zona proibida, em forma de semicírculo, com três metros de raio; o jogador nunca pode invadir essa área com a bola, ao finalizar, ao pegar o rebote, ao passar ou a recepcionar; depois de arremessá-la, caso o faça a partir de umsalto, poderá entrar na área proibida desde
que sem a posse da bola; a duração do jogo para os homens é de três tempos de 15 minutos cada um; para as mulheres e equipes mistas, três tempos de 12 minutos cada um. Os pontos: O simples fato de atingir o quadro não é suficiente para marcar pontos, pois ele funciona apenas como um meio para obter a pontuação. Para conquistar algum ponto a partir do arremesso, a bola deve tocar o quadro e cair em alguma parte da quadra (menos na área que fica em frente aos quadros, a zona proibida). Um jogador concede pontos à equipe adversária se: não acertar o quadro após o arremesso; após a finalização, a bola cair fora da quadra de jogo;após a finalização, a bola acertar o seu corpo; antes ou depois de arremessar, a bola cair dentro da área (zona proibida). Se, após o arremesso, a bola for recuperada pela equipe adversária, o jogo continuará normalmente. Após a concretização de um ponto, a equipe adversária deverá repor a bola atrás da linha de fundo. Os passes: Somente passes aéreos são permitidos e ninguém pode interceptar um passe. Cada equipe pode passar a bola, no máximo, três vezes (como no voleibol), porém sempre que a bola for recolocada em jogo ou recuperada a partir de uma defesa da equipe que foi atacada (pegar o rebote provocado após a bola bater no quadro), o primeiro passe não é contado. O jogador de posse da bola só pode dar três passadas (como no handebol) antes de passá-la ou arremessá-la ao alvo, mas sem quicá-la. As faltas: Sempre que houver alguma violação das regras, as faltas deverão ser cobradas no local onde aconteceram ou onde a bola caiu. Ao repor a bola depois de alguma infração, o jogador não poderá arremessá-la diretamente no quadro, ou seja, é necessário executar, no mínimo, um passe antes da finalização. Se a bola tocar na borda do quadro após um arremesso, o ponto não será computado. Esse caso representará uma falta e o jogo será reiniciado pela equipe adversária do local onde a bola houver caído. Portanto, um jogador comete falta quando: desloca-se driblando com a bola no chão ou no ar; efetua o quarto passe; de posse da bola, sai da quadra ou entra
na zona proibida; intercepta a bola (involuntariamente ou não) após um passe da equipe adversária; deixa a bola cair no chão no momento de um passe ou recepção; é tocado pela bola abaixo do nível da cintura (membros inferiores); pega a bola após a finalização de sua equipe; impede o deslocamento do adversário (segurando, agarrando, obstruindo a passagem etc.). É importante ressaltar que é possível adaptar
as regras e os materiais, de acordo com as características dos alunos, o local da prática e o material disponível. A bola pode ser adaptada (diferentes tamanhos e pesos), assim como o número de jogadores (não precisa ser o mesmo do oficial) ou o tamanho da quadra (que pode ser aumentado ou reduzido). A duração do jogo e o número de tempos também podem ser modificadosO material mais difícil de adaptar é o quadro,
pois necessita de uma superfície que faça a bola ser impulsionada para longe. Uma alternativa viável é improvisar um minitramp que funcione como quadro, lembrando que ele precisa ter uma inclinação para que a bola seja projetada para a quadra. A construção de um quadro alternativo é interessante, podendo ser feito de madeira. Visualize um pequeno gol de futebol (conhecido como caixote) em que a parte que sustenta a rede seria coberta por uma chapa de madeira (a parte quadriculada representada na figura). Também pode ser feito somente de uma chapa de madeira, que fi caria encostada à parede, não sendo necessária estrutura para sustentá-la. A área que fica em frente ao quadro pode ser a área do futsal ou ser adaptada com uma fita ou giz que permita sua visualização. Corpo, saúde e beleza: Em uma abordagem mais moderna, a saúde
é compreendida como uma condição humana com dimensões física, social e psicológica, caracterizada por um continuum com polos positivo e negativo associados aos aumentos na morbidade e/ou mortalidade das populações. Segundo dados do Ministério de Saúde (2006), as doenças do aparelho circulatório representam a principal causa de mortes para ambos os sexos em todas as regiões do Brasil (com exceção da Norte). Em segundo lugar, nas estatísticas, estão as mortes associadas a causas externas (especialmente acidentes e homicídios), entre os homens, e as neoplasias (câncer), entre as mulheres. Conhecendo-se as principais causas de
mortalidade, é importante identificar os fatores de risco ligados a elas. Conceituados como hábitos ou características pessoais que predispõem ao desenvolvimento de patologias, os fatores de risco podem ser divididos em não modificáveis (hereditariedade, sexo, envelhecimento e etnia) e modificáveis (fumo, álcool, drogas, sedentarismo, estresse e alimentação). Como são controlados pela manutenção ou pela mudança dos hábitos diários, os fatores modificáveis podem ser alvo de campanhas educacionais e de saúde que incentivem a adoção de um estilo de vida saudável. As doenças do aparelho circulatório (doenças cardiovasculares) afetam tanto o coração – como na doença arterial coronariana e no infarto, quanto os vasos sanguíneos, como na aterosclerose, no acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico (AVE) e na doença vascular periférica. Histórico familiar, sexo masculino e envelhecimento destacam-se como os principais fatores de risco não modificáveis dessas doenças. O tabagismo, o sedentarismo, a dieta inadequada e altos níveis de estresse são
os principais fatores modificáveis. Além desses, doenças como diabetes e obesidade são fatores que contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, muitas vezes por estarem associadas a baixos níveis de atividade física e dietas inadequadas (ricas em gorduras). Mais importante do que estabelecer quais fatores são mais relevantes no comprometimento cardiovascular é entender como eles contribuem
para o problema e estabelecer os cuidados que devem ser tomados para preveni-lo. Quanto aos fatores não modificáveis, é importante que se investigue o histórico familiar.A existência de casos de doenças ou problemas cardiovasculares na família faz que uma atenção maior seja dedicada aos fatores de risco modificáveis à medida que a idade avança, especialmente entre os homens. O tabagismo, associado a uma alimentação/ dieta desequilibrada que favoreça um nível elevado de colesterol sanguíneo, especialmente da lipoproteína de baixa densidade (LDL), além de níveis corporais baixos das vitaminas A, E e C, pode ocasionar lesão na parede das artérias e favorecer o surgimento da aterosclerose (placa de gordura na camada interna das artérias), condição altamente associada ao desenvolvimento das doenças cardiovasculares. Portanto, redução do tabagismo e melhor qualidade na composição da dieta, em particular no que se refere à ingestão de gordura e de vitaminas, exerceriam efeito protetor sobre o surgimento e o agravamento das doenças cardiovasculares. O sedentarismo talvez seja o fator de risco mais prevalente, o que está presente no maior número de casos. Nas pessoas com hábitos sedentários,a aptidão cardiovascular diminui, sobrecarregando o aparelho circulatório durante a realização de atividades físicas. Em contrapartida, o exercício regular aumenta a resistência aeróbia, que promove adaptações nas artérias coronarianas (como aumento de seu diâmetro e diminuição de sua rigidez) e no coração, uma vez que o músculo cardíaco se fortalece. Essas alterações protegem contra distúrbios cardiovasculares. Além disso, pessoas ativas comumente
mantêm os outros fatores de risco sob controle (tabagismo, alimentação e estresse). O estresse, por sua vez, diz respeito à maneira pela qual o organismo reage a qualquer estímulo, podendo ser positivo (quando relacionado a estímulos que promovam adaptações positivas ao organismo, como a atividade física moderada), ou negativo, (quando associado a estímulos prejudiciais ao organismo, como a dor). É difícil delimitar a participação do nível de estresse no risco de doenças cardiovasculares, visto que sob situações estressantes muitos indivíduos adotam hábitos poucos saudáveis (comem, fumam e bebem exageradamente, utilizam drogas, exercitam-se menos etc.). Sabe-se, porém, que há forte relação entre maiores níveis de estresse e cardiopatias em indivíduos que apresentam padrões de comportamento associados a ansiedade, agressividade, hostilidade, exigência e competitividade. Para esses indivíduos, tais riscos só poderão ser minimizados se houver mudança na forma de responder às situações de estresse, o que requer alteração de seu estilo de vida.
Ao relacionarmos exercícios físicos com estresse, percebemos que as características da atividade geram consequências distintas. Quando o exercício envolve atividade física intensa, prolongada ou repetida sem um intervalo adequado entre as sessões, o organismo é exposto a uma condição de estresse crônico, físico e mental, favorecendo o desenvolvimento de doenças. Em contrapartida, atividades físicas moderadas e/ou de cunho recreativo, praticadas com regularidade, permitem ao organismo recuperar-se adequadamente entre uma sessão e outra, têm efeito tranquilizante associado à sensação de bem-estar, além de reações bioquímicas
provocadas pelas endorfinas, que podem ajudar a reduzir os níveis de estresse. A adoção de um estilo de vida fisicamente ativo é um fator importante para a manutenção de um bom estado de saúde. Porém, algumas condutas inadequadas ou prejudiciais à saúde podem estar atreladas à prática de exercícios físicos. Por exemplo: a ilusão de obter resultados melhores com maior rapidez compromete os benefícios pretendidos
com a atividade física regular; dietas diversas, voltadas principalmente para a redução de peso corporal, e uso de suplementos alimentares, esteroides anabolizantes e outras formas de doping, adotados para potencializar os efeitos do treinamento físico e a obtenção de maior rendimento atlético, são igualmente comprometedores. doenças hipocinéticas: obesidade, hipertensão e outras Conforme ressaltado, o sedentarismo é um dos fatores de risco de maior prevalência (número total de casos) na gênese de patologias que afetam negativamente a saúde, como obesidade, diabetes e hipertensão, referidas como doenças hipocinéticas, o que sugere a adoção de um estilo de vida fisicamente mais ativo como fator de prevenção e promoção/manutenção de um bom estado de saúde. Manter-se fisicamente ativo implica maior
envolvimento com a atividade física, que pode ser definida como qualquer movimento corporal produzido pela musculatura esquelética, que gera um gasto energético superior ao que se despende em repouso. Engloba, portanto, as atividades da vida diária, como tomar banho, vestir-se e comer, as tarefas domésticas, as atividades profissionais, o deslocamento e as atividades de lazer, incluindo exercícios físicos, dança etc. Para que a atividade física possa promover e manter benefícios à saúde, é necessário que se induza adaptações positivas sobre o estado de aptidão física. Essas adaptações são feitas, sobretudo, pela prática de exercícios físicos, definidos como toda atividade física planejada, estruturada e repetitiva que tem por objetivo a melhoria e a manutenção da aptidão física, das habilidades motoras ou a reabilitação orgânico-funcional. De acordo com NAHAS (2006), considera-se sedentário o indivíduo que, na somatória das atividades físicas, apresenta um gasto energético semanal inferior a 500 kcal. Já o indivíduo que acumula um gasto energético semanal de pelo menos 1 000 kcal é considerado moderadamente ativo. Níveis moderados de atividade física podem reduzir de forma significativa o risco de doenças hipocinéticas (obesidade, hipertensão e outras).
Portanto, identificar o perfil de atividade física de cada indivíduo e sua relação com o atual estado de saúde pode ser uma importante estratégia para a promoção de um estilo de vida fisicamente mais ativo e saudável.
níveis de atividade física e obesidade Atualmente, o aumento excessivo de peso devido ao acúmulo de gordura nas reservas corporais (obesidade) está associado principalmente à combinação de baixos níveis de atividade física com alta ingestão calórica ou, especificamente, com alta ingestão de gordura. Ao longo do processo de envelhecimento, é comum observar o aumento da gordura corporal em razão do sedentarismo
progressivo. Ex-atletas também estariam propensos ao aumento da gordura corporal em virtude da redução do gasto calórico decorrente da diminuição do nível de atividade física sem a correta adequação na ingestão calórica. A evidente associação entre sedentarismo, alimentação inadequada e maior incidência e prevalência de obesidade torna necessária uma rotina fisicamente mais ativa, paralela a hábitos nutricionais adequados. Dessa forma, é possível prevenir e controlar o aumento do peso corporal e suas consequências negativas para a saúde, que causam maior risco de morbidade. Participar de programas de exercícios físicos facilita o ajuste entre o gasto energético decorrente das atividades físicas e a ingestão calórica, o que é fundamental no controle da obesidade. Para a elaboração de um programa de exercícios adequado, devem-se considerar
as características individuais, como disponibilidade de tempo e preferência motivacional por modalidades diversas (aeróbias e anaeróbias), a fim de se definirem a intensidade e a duração das atividades. níveis de atividade física e diabetes O diabetes mellitus é uma doença endócrinometabólica caracterizada por altos níveis glicêmicos, decorrentes da ausência ou da baixa quantidade de insulina no sangue e/ou da inefi ciência na ação da insulina. Atualmente, é uma das patologias mais prevalentes em todo o mundo, associada a altas taxas de morbidade e mortalidade. Quando o controle metabólico não é satisfatório, surgem complicações
agudas e crônicas que provocam impactos econômico e social. Baixos níveis de atividade física podem contribuir indiretamente para o surgimento de quadros de diabetes associados ao maior acúmulo de gordura corporal e consequente aumento de peso. Mas, quando se pensa no diabetes, combater o sedentarismo é essencial para controlar a doença. O exercício físico, associado ou não a dietas especiais e ao uso de fármacos, como insulina e outros hipoglicemiantes, desempenha importante papel no controle da glicemia (taxa de açúcar no sangue), pois melhora os mecanismos de captação de glicose pelos órgãos, como o fígado e músculos. Logo, um diabético fisicamente menos ativo pode encontrar maior dificuldade em controlar seus níveis glicêmicos, o que pode agravar a doença e facilitar o aparecimento de complicações agudas ou crônicas, como problemas renais, oculares e vasculares. níveis de atividade física e hipertensão A hipertensão tem como característica o aumento da pressão sanguínea acima dos níveis considerados normais para cada faixa etária, sexo e estilo de vida. A pressão elevada provoca sobrecarga hemodinâmica, estimulando uma carga adicional no trabalho cardíaco e danos nas paredes internas dos vasos, especialmente nas artérias. Em adultos, considera-se um indivíduo hipertenso quando sua pressão sanguínea constantemente atinge valores sistólicos acima de 140 mmHg ou valores diastólicos superiores a 90 mmHg. A hipertensão pode provocar diversas complicações vasculares, cardíacas, renais e cerebrais. Comparados a pessoas com pressão arterial normal, os hipertensos correm um risco sete vezes maior de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) e três
vezes maior de ter infarto do miocárdio. Uma das consequências do baixo nível de atividade física é uma menor capacidade cardiovascular, o que pode sobrecarregar o sistema cardiocirculatório. Associados a fatores genéticos e nutricionais, o aumento de peso e o nível elevado de estresse, podem predispor ao desenvolvimento da hipertensão. Em contraposição, alguns estudos têm demonstrado que a prática regular de exercícios de baixa a moderada intensidade e de longa duração age positivamente sobre a pressão sanguínea, diminuindo o risco de ocorrência de hipertensão. mídias: a transformação do esporte em espetáculo televisivo O esporte, atualmente, faz parte de uma vasta indústria do entretenimento/lazer, com grande impacto econômico e transformou-se em um negócio, com profundas implicações ideológicas, políticas e pedagógicas. Estima-se que a chamada “indústria esportiva” movimente em torno de US$ 1 bilhão por dia, em todo o mundo. As mídias, com destaque para a televisão, desempenham papel decisivo nesse processo, cujo início coincide com a constatação da capacidade que tem o esporte de atrair espectadores. A partir do momento em que alguém se dispôs a pagar para assistir um evento esportivo, abriu-se caminho para o financiamento do esporte profissional. Já no século XIX surgiram na Inglaterra os “espectadores-apostadores”, que faziam apostas nas lutas de boxe e nas corridas de rua. O espectador fiel a um dos competidores apareceu no início do século XX: trata-se do “torcedor”. A partir da década de 1960, com a popularização da televisão e o início das transmissões ao vivo de eventos esportivos (e os sistemas de satélite garantem que imagens e sons alcancem,
simultaneamente, todo o planeta), o esporte transformou-se em um “telespetáculo”; ou seja, uma “[...] realidade textual relativamente autônoma face à prática „real‟ do esporte, construída pela codificação e mediação dos eventos esportivos efetuados pelo enquadramento das câmaras televisivas, a edição das imagens e os comentários que se acrescentam a elas, que interpretam para o espectador o que ele está vendo [...]” (BETTI, 2001a, p. 126). “„São apenas negócios‟, conclui sobre o esporte um personagem do filme estrelado por Bruce Willis, The last boy scout (traduzido no Brasil por O último boy scout), um ex-atleta retirado dos campos de futebol americano por causa de uma lesão nos joelhos. O esporte espetáculo é trabalho e show; o atleta é um trabalhador e artista, sujeito a doenças ocupacionais e desemprego, como qualquer outro. Embora o esporte seja temática cada vez mais frequente nos filmes de Hollywood, o espetáculo esportivo é basicamente televisivo, assemelha-se mais a uma novela do que ao cinema ou teatro, com a vantagem, para a mídia eletrônica, de encontrar o cenário pronto, os atores ou atrizes contratados, o script esboçado; quer dizer, parte da conta já paga. O esporte é, cada vez mais, uma matéria para „marketeiros‟, empresários, executivos das grandes redes de televisão.” Fonte: BETTI, Mauro. Educação física e sociologia: novas e velhas questões no contexto brasileiro. In: CARVALHO, Yara Maria de; RUBIO, Katia (Org.). Educação física e ciências humanas. São Paulo: Hucitec, 2001. p. 160. É esse texto audiovisual o produto vendido pelas mídias: o espetáculo esportivo em si e a “falação” (ECO, 1984, p. 220) sobre ele. Fala-se sobre tudo e sobre todos nos programas e noticiários esportivos, nas matérias jornalísticas e colunas de opinião dos jornais e revistas especializados e nas entrevistas com atletas. Além disso, o esporte é amplamente explorado pela publicidade, que vende não só os materiais esportivos propriamente ditos (bolas, vestimentas etc.), mas também serviços bancários e alimentos, associando-os a qualidades do esporte, como velocidade e energia. É importante ompreender que o interesse das mídias pelo esporte não se fundamenta no interesse de estimular a prática esportiva, mas de vender a si próprias. Por sua vez, o esporte profissional tornou-se cada vez mais dependente da televisão, pois ela viabiliza os patrocinadores que financiam eventos, clubes e atletas enquanto as mídias dependem do esporte para atrair e formar aficionados que consumam seus produtos. Essa lógica da espetacularização, ligada aos interesses econômicos das grandes empresas midiáticas e às possibilidades tecnológicas de produção e emissão de imagens, tem consequên cias importantes para o modo como entendemos, apreciamos e praticamos o esporte. Em primeiro lugar, destaca-se a fragmentação/ descontextualização do fenômeno esportivo, quando eventos e fatos são extraídos do contexto mais amplo. A experiência global de quem pratica esporte é desconsiderada, pois esporte não é só vitória a qualquer custo, ganhar dinheiro e troféus, mas também sociabilização no confronto com outrem, prazer e ludicidade, vivências que não são privilegiadas pelas mídias. Já as manifestações de violência (quer da torcida, quer dos atletas), às vezes presentes em eventos esportivos, são objeto de destaque nas mídias, como cenas de brigas nos estádios de futebol, seja entre jogadores, seja entre torcidas rivais, que correm todo o mundo, induzindo-nos a acreditar que o futebol é um esporte violento. Em segundo lugar, constata-se que assistir esporte pela televisão torna-se diferente da experiência de assistir aos eventos ao vivo, em estádios e ginásios, pois o que vemos na “telinha” é produto do olhar direcionado das câmeras, da opinião do comentarista, dos recursos tecnológicos, como a “câmera-lenta” e o “ti ra-teima”. A televisão tenta diminuir a distância entre essas duas experiências por intermédio de informações suplementares (closes, câmaras dispostas em diversos ângulos, microfones que captam sons no campo e na torcida etc.), dando ao telespectador “a ilusão de estar em contato perceptivo direto com a realidade, como se estivesse olhando através de uma 'janela de vidro'”, quando aquele, na
verdade, aprecia uma interpretação do evento esportivo, mediada pelos códigos e interesses televisivos (BETTI, 1998, p. 34). Há muitas diferenças na experiência de assistir ao esporte como testemunha corporalmente
presente nos estádios e ginásios, de um lado, e pela televisão, de outro. Entre elas está a perda da autonomia visual do telespectador, que só pode ver o que lhe é mostrado. Nos esportes coletivos, por exemplo, a maior parte do tempo a câmera apenas segue a bola, prejudicando a visão mais global do evento. O telespectador também é privado da experiência do coletivo, pois para quem está em um estádio de futebol, por exemplo, as manifestações da torcida afetam a avaliação da partida. Em terceiro lugar, observa-se que as mídias produzem um discurso hegemônico sobre o esporte. Para elas, esporte é predominantemente esforço máximo, busca da vitória a qualquer preço, dinheiro, campeões. Pouco espaço e tempo são dedicados, nosjornais, revistas, sites e emissoras de televisão para abordagem das potencialidades do esporte em promover valores ligados à saúde, ao lazer e à educação. Tudo isso leva também a implicações éticas, na medida em que as mídias passam a definir valores com relação ao esporte: o que é certo ou errado, legítimo ou ilegítimo. Muitas vezes, isso se processa em termos de dubiedade moral: por exemplo, uma falta violenta no futebol ora é apontada como ameaça ao espetáculo, ora como demonstração de eficiência do “zagueiro macho”.

1 Col. - Volume 3

ESPORTE – SISTEMAS DE JOGO E TÁTICAS EM MODALIDAD E COLETIVA: o RÚGBI E O FUTEBOL AMERICANO
O rúgbi tem sua origem diretamente associada ao processo de escolarização na Inglaterra, em meados do século XIX, quando as regras do futebol foram formalmente introduzidas em sete escolas públicas daquele país. Seis dessas escolas estavam praticando o mesmo tipo de esporte, mas na Rugby School (fundada em 1567) parecia haver uma versão completamente diferente. As seis escolas associaram-se e prosseguiram na formalização do esporte, chamando-o de Football Association (que é a modalidade esportiva mais popular no Brasil, o futebol, atualmente regulamentada pela Fédération Internationale de Football Association, a Fifa), enquanto a modalidade praticada na Rugby School desenvolveu-se de modo diferente. Há controvérsia e incerteza sobre os motivos dessa diferenciação, mas ela é comumente atribuída à insistência dos alunos em correr com a bola nas mãos, o que era válido nas regras anteriores. Sabe-se que, na década de 1830, esse tipo de jogada era comum entre os alunos daquela escola. Algumas regras estabelecidas naquele período permaneceram, como as pontuações por chutar a bola entre duas traves (verticais) e acima de um travessão (horizontal), permitindo tentativas de gol de longa distância, e o direito ao “prêmio” de uma tentativa extra de chutar, caso o jogador consiga invadir a defesa adversária com a bola em mãos. Era comum entre os defensores a permanência em grupo próximo às traves como tática. Por isso, a formação inicial do ataque e da defesa em cada jogada e a regra do impedimento foram tópicos definidos na época. O impedimento ocorria quando um jogador ultrapassava a linha demarcatória do local de início da jogada, antes da autorização Essa “linha” separava as duas equipes e, assim como ocorre no momento do passe/lançamento no futebol, ela é também imaginária no rúgbi, dependendo de cada situação de jogo. Não era permitido passar a bola com as mãos para um jogador posicionado à frente. Nesse caso o chute se faz necessário para realizar o passe. Entretanto, as regras foram registradas apenas em 1863, quando os alunos da Rugby School começaram a disputar competições com outras escolas e clubes. Com o aumento da competitividade, ocorreram algumas mudanças, sobretudo para minimizar as lesões e acidentes mais graves e, por volta de 1893, as regras do rúgbi tornaram-se praticamente as mesmas utilizadas até hoje e o esporte profissionalizou-se. O futebol americano, derivado do rúgbi e do futebol, também teve sua origem vinculada ao processo de escolarização nos Estados Unidos no decurso do século XIX, mas a partir das faculdades e fraternidades de estudantes universitários. Um jogo que parece ter influenciado a modalidade foi o ballown, disputado por grupos de alunos na Universidade de Princeton, em que os jogadores deveriam transpor a defesa adversária, conduzindo a bola com os punhos e os pés. Não havia regras registradas quanto à agressividade no contato entre os jogadores ou à velocidade no jogo. Em Harvard, um jogo semelhante era disputado entre calouros e veteranos, marcando a confraternização dos estudantes no início do ano letivo. O jogo era disputado em uma segunda feira chamada “sangrenta” por causa das condições da disputa. Jogos semelhantes tornaram-se populares na região de Boston e as universidades passaram a organizar disputas entre suas equipes, até que em 1867 as primeiras regras foram formalizadas por iniciativa de Princeton. O esporte mantinha características comuns ao rúgbi e ao futebol, mas várias modificações foram feitas, principalmente a regulamentação do passe direcionado à frente com as mãos, e em 1906
foram estabelecidas as regras conhecidas atualmente. As mudanças ocorreram principalmente pela pressão das fraternidades e dos patrocinadores das universidades, cujos filhos praticavam a modalidade, para reduzir a incidência de lesões graves. Logo depois, o futebol americano tornou-se profissional. As regras e a sua institucionalização nas duas modalidades têm semelhanças e diferenças.
Os sistemas de jogo no rúgbi refletem sua organização estratégica e também características culturais e antropológicas das equipes, como no caso dos jogadores da Nova Zelândia (chamados “all blacks”) e de outros países da Oceania, que incorporaram uma celebração aborígine na preparação para as partidas. No futebol americano as táticas têm um
papel preponderante na apreciação do espetáculo esportivo, especialmente pela possibilidade de as equipes realizarem passes curtos ou de longa distância. Além dessa incerteza
para os defensores, a dinâmica complexa de elaboração das jogadas pode ter relação direta com o contexto original da modalidade no Ensino Superior, em que havia uma busca
por teorias que justificassem os diferentes sistemas utilizados nesse esporte. No Brasil praticam-se o rúgbi e algumas variações do futebol americano na areia das praias e nos campos dos parques. Embora seja mais comum a ocorrência no Rio de Janeiro, no litoral paulista também é possível observar partidas de beach football e beach rugby. Nas cidades do Estado de São Paulo, sobretudo na região metropolitana da capital, é comum haver jogadores em parques, como o Parque do Ibirapuera, disputando flag football, flagball ou mesmo rugby.
CORPO, SAÚDE E BELEZA – CONCEITOS: ATIVIDAD E FÍSICA, EXERCÍCIO FÍSICO E SAÚDE
Os conceitos de atividade física, exercício e saúde sempre estiveram presentes na Educação Física escolar brasileira desde a sua origem. A atividade física inclui toda movimentação produzida pela musculatura esquelética com gasto expandido de energia, como nas atividades domésticas, laborais e de lazer, exercícios e esportes. A atividade física previamente planejada, orientada e proposta para a manutenção ou melhora dos componentes da aptidão física relacionada à saúde (resistência aeróbia, resistência
anaeróbia e força muscular, flexibilidade e composição corporal), realizada repetidamente, é denominada exercício físico. Portanto, o exercício é uma subcategoria da atividade física. Já o debate sobre o conceito de saúde encaminha-se para duas visões que se contrapõem. Por um lado, o viés biológico (considera a saúde como a ausência de doença) e individualizado (responsabiliza o sujeito pela prevenção aos fatores de risco). De outro, o entendimento da saúde em sua dimensão coletiva, que leva em conta a história do indivíduo e sua relação com a sociedade. Os defensores desta última perspectiva criticam os que culpam a pessoa por não evitar a doença em virtude do pouco controle sobre seus hábitos relacionados à saúde, já que esta é fortemente vinculada a variáveis socioeconômicas, como alimentação, moradia, renda, trabalho e transporte, entre outros. O envolvimento da comunidade para a melhoria da saúde é privilegiado no conceito de promoção da saúde, que propõe a capacitação dos indivíduos e grupos para que reconheçam suas aspirações e necessidades e reivindiquem ambientes favoráveis ao desenvolvimento de um estado de completo bem-estar multifatorial; físico, mental e social (OMS, 1986).
Segundo BUSS (2003), a participação social está na base dessa formulação conceitual que valoriza o conhecimento popular nas atividades que podem ser dirigidas à transformação dos comportamentos dos indivíduos ou naquelas voltadas ao coletivo e ao ambiente. O autor acrescenta a importância do conceito de “empoderamento”, que significa a aquisição de poder técnico e consciência política para atuar na direção de assuntos de saúde por intermédio da capacitação popular. Na Educação Física, pode-se pensar o conhecimento
técnico como referente à prescrição e formas de execução dos exercícios, ao passo que a consciência política pode ser estimulada por meio do questionamento e da reflexão que levem à reivindicação dos recursos e condições necessários ao exercício físico, como equipamentos adequados (materiais esportivos e de ginástica, vestimenta, equipamentos
adaptados e de segurança) e espaços acessíveis (academias, clubes, parques, praças, ruas seguras, limpas e arborizadas). Tal concepção contrapõe-se ao conceito de
saúde, pautado em estudos epidemiológicos sobre os fatores de risco para doenças degenerativas cardiovasculares, como o sedentarismo e a obesidade. Tais estudos enfatizam a
presença de fatores de risco no estilo de vida das pessoas, inclusive de crianças, e tendem a valorizar a transmissão de informações relacionadas à importância da prática de atividades físicas e exercícios por toda a vida. Todavia, autores como Farinatti (2002) criticam as campanhas de prevenção e educação em saúde que visam à promoção de estilos
de vida ativos, pois se concentram de forma exagerada na transmissão de informações, negligenciando projetos pessoais como a motivação e adesão para a prática de atividade física, além de responsabilizar o indivíduo pela prática de sua atividade física, independentemente de condições ambientais adversas. Tais críticas não desmerecem a importância
dos estudos epidemiológicos, mas é necessário que a Educação Física adote estratégias didáticas adequadas na utilização dessas informações,de modo que os alunos realmente
consigam mudanças de condutas a longo prazo, não um acréscimo ao seu repertório de informações sobre saúde. Por sinal, tais informações estão amplamente disponíveis a todos
nos meios de comunicação – o que parece não ser condição suficiente para levar as pessoas a mudarem seus hábitos de vida. A saúde também é relacionada aos padrões
de beleza da sociedade. A obesidade, por exemplo, que em determinados períodos históricos foi sinônimo de saúde, beleza e sedução, hoje é sinônimo de doença e falta
de controle sobre o corpo. Os atuais padrões de beleza, estabelecidos em grande parte pelos meios de comunicação, têm levado a uma busca desenfreada por um corpo magro,
com adesão a práticas alimentares e de exercitação física que ameaçam a saúde orgânica e psicológica, Os padrões estéticos da sociedade também têm pressionado o consumo de produtos e serviços por parte da população que está envelhecendo. A pele enrugada e os cabelos brancos, por exemplo, têm sido manipulados como tentativa de negar o envelhecimento como parte do ciclo da vida, estimulando a ideia de que ter o corpo eternamente jovem é um requisito para a felicidade. Por outro lado, a prática sistemática e adequada de atividades e exercícios físicos, ao otimizar o potencial de plasticidade presente no organismo humano, contribui para a prevenção de doenças associadas ao envelhecimento e melhora a qualidade de vida na chamada Terceira Idade. E a Educação Física pode contribuir decisivamente para isso, ao fornecer informações e parâmetros para sua prática, durante os vários ciclos de escolarização
.

8 Série - Volume 3

JOGO E ESPORTE: DIFERENÇAS CONCEITUAIS E NA EXPERIÊNCIA DOS JOGADORES
Inicialmente, cabe uma colocação: o elemento fundamental de toda prática esportiva é o jogo. O jogo é o alicerce dos esportes, mas o esporte não se resume ao jogo: ele vai além, em inúmeros aspectos. A mais conhecida conceituação de jogo é a de Huizinga. Para esse autor, jogo é:“(...) uma atividade ou ocupação voluntária,exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotada de um fim em si mesmo, acompanhada de um sentimento de tensão e de alegriae de uma consciência de ser diferente da „vida quotidiana” (HUIZINGA, 2007, p. 33)1. Kishimoto, após apresentar conceitos de diferentes autores (Fromberg, Christie, Caillois e Huizinga) sobre os jogos, faz a síntese de algumas características apontadas pelos autores: 1. “Liberdade de ação do jogador ou o caráter voluntário, de motivação interna e episódica da ação lúdica; prazer (ou desprazer), futilidade, o „não sério ou efeito positivo.2. Regras (implícitas ou explícitas). 3. Relevância do processo de brincar (o caráter improdutivo), incerteza de resultados. 4. A não literalidade, reflexão de segundo grau, representação da realidade, imaginação. 5. Contextualização no tempo e no espaço” (KISHIMOTO, 2007, p. 27)2. Aspectos como a liberdade de ação, a improdutividade/ produtividade (no sentido de haver recompensa material) de tais ações, a dimensão lúdica, a flexibilização/inflexibilização das regras, o espaço e o tempo de realização são decisivos para a diferenciação e a conceituação entre jogo e esporte. Consideremos tais características em relação às duas primeiras situações apresentadas no início deste tema: as crianças jogando taco e o grupo de adolescentes jogando futebol no de jogo proposto por Huizinga e sintetizado por Kishimoto. Em ambas as situações, as atividades são voluntárias, ou seja, todos os envolvidos reuniram-se espontaneamente para jogar, escolhendo, portanto, estar juntos. As regras do jogo de taco e as do futebol foram definidas e negociadas pelos próprios participantes. No caso do futebol jogado aos fins de semana, existe uma grande influênciada lógica do esporte de rendimento, mas sem o mesmo rigor na sua aplicação.Em princípio, os espaços em que as duas primeiras práticas ocorreram não são necessariamente o aspecto definidor de suas respectivas realizações. O espaço em que foi desenvolvido o jogo de taco não precisaria ser necessariamente a rua, podendo ser qualquer outro com as mesmas condições (piso plano e amplo). O mesmo ocorre com o jogo de futebol: a ausência de uma trave ou de linhas que delimitam o campo ou o fato de o grupo não possuir uniforme que diferencie seus jogadores podem ser aspectos que dificultam o jogo, mas não impedem a sua realização. É comum em parques e praças pelo Brasil ver os chamados “jogadores de fins de semana” praticando diferentes esportes em locais improvisados. O tempo destinado a tais práticas também não é rigorosamente definido. O jogo de taco ocorrerá até o momento em que o grupo de jogadores assim o quiser; nesse sentido, tanto pode durar muito como pode terminar após poucas rodadas. No futebol de fim de semana, geralmente, ocorre uma definição prévia sobre o tempo: é comum a utilização de dez minutos ou dois gols como limite, principalmente quando existem muitos times do lado de fora esperando a vez de jogar. Os sentimentos experimentados, como a alegria e a tensão que o jogo proporciona, são muito próximos nas duas modalidades apresentadas. Algo motiva os dois grupos para aquelas práticas corporais: o prazer e a alegria vivenciados com o do jogo e, às vezes, a tensão ou os conflitos. A dimensão lúdica está muito presente, assim como a questão da competição; no entanto, o lúdico e a competitividade equilibram-se nas ações dos participantes. Nesse sentido, o jogo é caracterizado pela maior liberdade das ações de seus participantes, pois as ações dos indivíduos estão relacionadas ao lazer, à ocupação do tempo livre, à diversão, à socialização e à prática em si. Sendo assim, o jogo pode ser pensado sob o ponto de vista da não produtividade, desde que improdutividade seja entendida como algo que não gera um produto rentável, de lucratividade. Mas o jogo produz bem-estar, prazer e experiências riquíssimas aos seus participantes; e é sob esse aspecto que se pode dizer que ele é produtivo. E a partida de vôlei feminino na Liga Mundial? Para Bracht (2005) apresenta o modelo dual de esporte. Para o autor, o esporte pode ser entendido como prática de alto rendimento/espetáculo ou como atividade de lazer. De acordo com esse enfoque, o futebol jogado pelos rapazes aos fins de semana seria o esporte, enquanto atividade de lazer, com características muito próximas às do jogo. Já a partida entre Brasil e Cuba na Liga Mundial de Vôlei estaria mais distante das características do jogo, passando do mundo do não trabalho para o do trabalho, que deve ser produtivo. Para Bracht (2005, p. 14), o esporte moderno desenvolvido no interior da cultura inglesa – entendida como o berço do esporte moderno – assumiu algumas características básicas que são reproduzidas até hoje: “competição, rendimento físico-técnico, recorde, racionalização e cientificização”. O esporte é caracterizado por uma perda na liberdade de ação. A liberdade também existe no esporte, porém os limites em relação às regras, ao espaço e ao tempo de duração influenciam as ações dos atletas. A dimensão lúdica está presente no esporte de rendimento, mas encontra-se diminuída por causa da competitividade e do objetivo final – a vitória. Algo existe que vai além do prazer da disputa, como o título de campeão do mundo. Nesse sentido, o jogador deve ser produtivo, pois suas ações são fundamentais para o desenvolvimento e o resultado da partida, o que vai ser decisivo para o futuro da equipe no campeonato e para o futuro dos atletas em suas carreiras (melhor estrutura e maior visibilidade dos atletas). Para isso, o atleta precisa treinar, repetindo inúmeras vezes as técnicas e as táticas envolvidas no esporte que pratica. Na partida de vôlei feminino na Liga Mundial, as regras são definidas por um órgão internacional, no caso a Federação Internacional de Vôlei (FIVB). O espaço de realização da partida de vôlei entre Brasil e Cuba é o mesmo em qualquer lugar do mundo, já que existe uma série de medidas padronizadas em relação às dimensões da quadra, à altura da rede etc. Nesse espaço, todas as decisões sobre as ações dos jogadores são regidas e comandadas pelo árbitro: nada em uma partida ocorre sem a sua prévia autorização, desde a decisão sobre um lance polêmico – se a bola bateu fora ou dentro da quadra, se o atleta encostou-se na rede ou invadiu a quadra da equipe adversária – até o simples reinício da partida. Principais diferenças e semelhanças entre jogo e esporte. (1) diferenças nas regras; (2) diferenças em relação ao espaço; (3) diferenças no tempo de jogo; (4) vestimentas necessárias para a atividade; (5) necessidade de arbitragem.

BEISEBOL: o beisebol é um dos principais esportes praticados no mundo, principalmente nos Estados Unidos da América. Esse esporte também se popularizou no Japão, em Cuba e em vários países da América Central e do Caribe. A partir das últimas décadas do século XIX, essa modalidade difundiu-se dos Estados Unidos para várias partes do mundo, ganhando milhares de praticantes. O beisebol foi criado por Abner Doubleday, nos Estados Unidos, em 1839. Há quem diga que o esporte teria raízes na nglaterra e que já em 1700 era praticado por jovens nos fins de semana. O beisebol foi levado ao Japão pelos professores norte-americanos Holles Wilson e Madjett, que lecionavam na Universidade de Tóquio, em 1873. Depois disso, o esporte passou a ser difundido para a América Central e a Europa, ganhando muitos adeptos e praticantes pelo mundo afora (OI, 1996). Sabe-se que o beisebol foi introduzido no Brasil por americanos que trabalhavam em empresas como a antiga Light e a Companhia Telefônica e também, pelos funcionários do Consulado Geral dos Estados Unidos, que praticavam o esporte como forma de lazer aos fins de semana. OI (1996) relata que, já na década de 1920, existia uma liga de beisebol comandada por um diretor da Companhia Telefônica. Apesar de não serem os que trouxeram o beisebol ao nosso país, os japoneses foram os grandes responsáveis pela difusão do esporte em terras brasileiras. Devido a esse processo, grande parte dos ídolos brasileiros do esporte é descendente de japoneses, o que é motivo de alegria para a grande população japonesa aqui residente. A intensificação do processo de imigração japonesa, ocorrida entre as décadas de 1920 e 1940, fez com que a prática do beisebol se disseminasse para diferentes regiões do Brasil. Por isso, a prática desse esporte, acompanhando o trabalho agrícola dos imigrantes, deu-se inicialmente em zonas rurais, com muitas dificuldades, porque não havia a estrutura necessária para o seu desenvolvimento. Depois desse primeiro momento – em que ocorria a improvisação dos materiais de jogo, como luvas, vestimentas e bastões –, a prática do esporte passou a tomar o caminho das grandes cidades, a partir de 1950 (OI, 1996). A difusão do beisebol acompanhou as estradas de ferro que foram construídas para facilitar o escoamento da produção de café, partindo principalmente de São Paulo, por meio das ferrovias Noroeste, Paulista e Sorocabana, nomes que também figuraram nas primeiras ligas desse esporte. Dessas estradas, o beisebol foi difundido e passou a ser praticado em outros estados, como o Paraná (OI, 1996). O Brasil detém os títulos de campeão mundial Jr. (1993) e vice-campeão mundial júnior (1995) de beisebol. A cada ano, a modalidade vem se desenvolvendo, permitindo melhores atuações das seleções de base e da principal nos campeonatos que disputam. Atualmente, no Brasil, existem cerca de 50 equipes de beisebol distribuídas pelas federações estaduais, totalizando aproximadamente 3 mil atletas. Dinâmica geral do beisebol: Para entendermos como se pratica o beisebol, é preciso conhecer algumas de suas principais
características. A primeira delas é que, nesse esporte, cada equipe tem seus tempos de ataque e defesa separados. A partida somente acaba quando é completada a disputa de nove ataques e nove defesas. Cada conjunto de ataque/defesa é denominado inning, o que seria equivalente ao set do vôlei. Cada equipe deve ter nove jogadores. O campo de beisebol tem uma área equivalente a 1/4 de um círculo com 120 metros de raio. Essa área é divida em duas partes: o jardim externo e o interno. objetivo do jogo e suas principais regras A equipe que ataca possui os seguintes jogadores: (A) rebatedor e (B) corredores. O objetivo da equipe do ataque é marcar mais pontos/corridas. Um ponto/corrida é marcado quando um jogador do ataque consegue percorrer todas as quatro bases do campo antes do término do inning. Não é necessária a passagem do jogador por todas as bases de uma só vez. Ele pode avançar uma ou mais bases por vez. O rebatedor (batter) deve rebater a bola lançada pelo arremessador (pitcher) dentro dos O campo de beisebol tem uma área equivalente a 1/4 de um círculo com 120 metros de raio. Essa área é divida em duas partes: o jardim externo e o interno. limites do campo o mais longe que conseguir, para, em seguida, correr na direção da primeira base antes que o defensor da primeira base receba a bola e pise na base. Se o rebatedor chegar à primeira base, passa a se chamar corredor (runner). O objetivo do corredor é conquistar as próximas bases até chegar à principal (home base), quando marca 1 ponto ou corrida (run) para a sua equipe. O rebatedor que conseguir a proeza de rebater uma bola para fora da linha circular que delimita o jardim externo, e dentro dos limites das linhas laterais, realiza a jogada denominada home run. Essa jogada dá a ele o direito de percorrer as quatro bases Perde-se o direito ao ataque toda vez que a equipe tiver três jogadores eliminados. A equipe que defende possui os seguintes jogadores: (A) jardineiros externos (direito, central e esquerdo), (B) jardineiros internos (defensor da primeira base, defensor da segunda base, defensor da terceira base, defensor da quarta base ou receptor) e, entre a segunda e a terceira bases, existem ainda o interbases e (C) o arremessador. O objetivo da equipe que defende é evitar que a outra equipe marque pontos, tentando eliminar os jogadores. O jogador é eliminado se não conseguir rebater três bolas boas ou se o corredor não conseguir
chegar antes do defensor à base a que está se dirigindo. O jardim externo é a parte do campo em que três jogadores de defesa se localizam: o jardineiro direito (right fielder), o jardineiro esquerdo (left fielder) e o jardineiro central (center fielder). Esses jogadores são os responsáveis por capturar as bolas que forem rebatidas para lá. Se a bola for capturada no ar, o rebatedor estará automaticamente eliminado. Assim, a principal característica desses jogadores é serem ótimos velocistas. O jardim interno é a área onde estão localizadas as bases, cada qual defendida por um jogador, sendo que, entre a segunda e a terceira bases, é posicionado um quinto jogador, chamado de interbases. A função dele é receber a bola passada pelos jardineiros externos e fechar as bases ou, ainda, capturar as bolas diretamente rebatidas pelos
rebatedores que vierem em sua direção, impedindo que os atacantes se desloquem para as bases seguintes. A base principal (home plate) localiza-se na extremidade central e interna do campo. É o lugar onde ficam o jogador chamado de receptor (catcher), o juiz principal e o rebatedor (batter). A primeira base localiza-se na extremidade direita do quadrado e nela encontra-se o defensor da primeira base.
A segunda base localiza-se na parte central interna oposta à base principal e nela encontra-se o defensor da segunda base. A terceira base localiza-se na parte esquerda do quadrado formado pelas quatro bases.
Nela, existe outro defensor. O receptor (catcher) e o arremessador (pitcher) são considerados os jogadores mais importantes de uma equipe. O arremessador fica no centro do quadrado formado pelas bases, em uma região um pouco elevada em relação às demais áreas do campo. Dessa dupla é a função de impedir que haja uma boa rebatida. O receptor comanda as bolas e determina como elas deverão
ser arremessadas – se a bola deve ser curva, rápida ou lenta. A dupla varia a maneira do arremesso para tentar enganar o rebatedor, deixando-o confuso em relação ao tipo de bola que será arremessada Após três tentativas frustradas do rebatedor de rebater uma bola arremessada, ele estará eliminado. O arremessador tem o direito de jogar três bolas ruins para o rebatedor; se ele lançar uma quarta bola ruim, o rebatedor adquire o direito de passar para a primeira base. O rebatedor pode rejeitar até duas bolas boas. O árbitro é quem considera as bolas boas ou ruins, a partir da visualização da zona de strike. Essa zona é a área compreendida, na altura, pela região entre o peito e os joelhos do rebatedor e, na largura, pela área da base localizada à frente do receptor (home plate). os “princípios operacionais” propostos por Bayer (1994, p. 99 e p. 117), buscando estabelecer relações com o ensino do beisebol. São eles: Em situação de ataque: 1. Conservação da posse da bola. 2. Progressão da bola e da equipe em direção
ao alvo adversário. 3. Finalização em direção ao alvo. Em situação de defesa: 1. Recuperação da posse de bola. 2. Contenção da bola e da equipe adversária em direção ao próprio alvo. 3. Proteção do alvo.
Quando pensamos nesses princípios para o ensino do beisebol, devemos nos ater à dinâmica desse esporte. Como vimos, no beisebol, o ataque é realizado por apenas uma equipe. Se a equipe que defende não conseguir provocar o erro dos adversários, deverá esperar até que os nove atacantes realizem suas respectivas rebatidas para só então passar a atacar. O princípio operacional de ataque “conservação
da posse de bola” aplicado no beisebol deve ser analisado de forma diferenciada. Vimos que existem três alvos secundários que precisam ser conquistados (a primeira, a segunda e a terceira bases) e o alvo principal; além disso, o objetivo do atacante/rebatedor é rebater a bola o mais longe possível dentro dos limites da quadra. Por isso, esse princípio pode ser visualizado como a forma
ou a maneira de manter a bola o mais longe possível das bases. Como num jogo de beisebol a rebatida ocorre a partir do tipo de arremesso realizado, esse princípio depende de um amplo repertório de rebatidas dos jogadores que realizam essa função. Outro princípio importante a ser problematizado é a “progressão da bola e da equipe em direção ao alvo adversário”. Como os alvos são as bases, estratégias devem ser criadas para que os jogadores de uma mesma equipe progridam em sincronia. Esse princípio pode ser trabalhado a partir de diferentes tipos de rebatida, seguidas de diferentes formas de deslocamentos dos atacantes. Diferentes sentidos, velocidades e distâncias de rebatidas da bola devem ser trabalhadas, para que rebatedor e corredores possam saber quando e como se deslocar a fim de
que não sejam eliminados pela defesa. A “finalização em direção ao alvo” está amplamente relacionada com os outros dois princípios operacionais, pois, sem uma boa rebatida e um bom e rápido deslocamento dos atacantes (de acordo com o tipo de rebatida), a finalização da jogada estará prejudicada. Os três princípios operacionais de defesa – “recuperação da posse de bola”, “contençãoda bola e da equipe adversária em direção ao próprio alvo” e “proteção do alvo” – dependem de algumas ações fundamentais por parte da equipe defensora, quais sejam: a equipe somente adquire o direito feito de
atacar após provocar o erro do rebatedor e quando os corredores não chegam às bases seguintes. O erro pode ser provocado principalmente a partir do bom entrosamento e desempenho da dupla
receptor-arremessador. Para a dupla, orepertório de diferentes formas de arremesso é tão importante quanto a sequência escolhida para a sua execução (arremessos curtos, rápidos e com curvas
ou ainda alternância de bolas boas e ruins), visando confundir o rebatedor; outra forma de recuperar o ataque ff taque é a criação de linhas de passes que promovam a circulação mais rápida da bola
para a base em direção à qual o corredor ou o rebatedor esteja se deslocando. Somente com a tentativa de dificultar a rebatida do atacante da equipe adversária é que o objetivo da defesa pode ser alcançado e os três princípios poderão ser colocados em prática.

7 Série - Volume 3

ATIVIDADE RÍTMICA – MANIFESTAÇÕES E REPRESENTAÇÕES DA CULTURA RÍTMICA DE OUTROS PAÍSES: O ZOUK
A palavra zouk significa “festa”, e a música é cantada em créole, língua que mistura predominantemente o idioma francês com dialetos africanos. É uma dança caribenha oriunda das Antilhas Francesas, com freqüência praticada nas ilhas de Martinica, Guadalupe e Santa Lúcia, e também popular em países africanos onde o português é a língua oficial, como Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial e Moçambique. O ritmo é mundialmente conhecido. Na África, porém, é chamado de kizomba. No Brasil, popularizou-se ao final da década de 1990, com movimentos diferenciados e associados à lambada, influenciando-a e sendo influenciado por ela. É bastante conhecido na região Norte do país, o que se deve à proximidade com a Guiana Francesa, atualmente considerada parte do território ultramarino francês. O Amapá e o Pará são os estados brasileiros em que o zouk é mais popular. Há indícios de que o zouk tenha influenciado alguns ritmos brasileiros, ocasionando mudanças na forma de dançar o carimbó, por exemplo, com a substituição de duplas soltas por casais abraçados. No caso da lambada, surgida no Pará durante a década de 1970, além do zouk e do carimbó, percebe-se também a influência do forró e de outros ritmos latinos, como o merengue. Considera-se que o zouk dançado no Brasil não seja o mesmo dançado no Caribe. Os passos brasileiros são semelhantes aos da lambada, mas realizados mais lentamente. O ritmo dançado nos demais países é chamado de zouk love e seus passos são diferentes, por serem mais suaves. O zouk love possui três passos principais: o zouk cannelle (“canela”), o zouk gingembre (“gengibre”) e o zouk piment (“pimenta”). Para esses passos é necessário considerar que os momentos de transferência do peso corporal ocorrem com movimentos de inclinação e de circundução da cabeça. O passo básico chamado “canela” se dá de maneira semelhante ao caminhar, para a frente e para trás, durante o qual o homem e a mulher se colocam de frente um para o outro. Assim, o membro inferior direito de cada dançarino estará próximo ao membro inferior esquerdo de seu parceiro. O movimento é iniciado com a perna direita do homem projetando-se para a frente e, consequentemente, a perna esquerda da mulher projetando-se para trás. A seguir, ambos se preparam, agrupando os membros inferiores, para “dar um passo” no sentido oposto: a mulher movimenta a perna esquerda para a frente e o homem a acompanha com a perna direita para trás. Esse movimento de vaivém é contínuo ao longo da dança. O passo “gengibre” envolve a semiflexão dos joelhos, seguida de extensão, assemelhando-se ao movimento de descer e subir. Essa movimentação, na articulação do quadril, é realizada à direita e à esquerda. Já o passo “pimenta” é a fusão dos anteriores (“canela” e “gengibre”), com o casal dançando o mais próximo possível, entrelaçando os membros inferiores. Embora algumas articulações tenham sido enfatizadas na descrição dos movimentos, na caracterização do zouk não basta apenas dar passos para a frente, para trás e para os lados. É necessário envolver todo o corpo ao dançar.

GINÁSTICA – PRÁTICAS CONTEMPORÂNEAS: GINÁ STICAS DE ACADEMIA
O fenômeno de surgimento, proliferação e diversificação das academias de ginástica tem relação com o crescimento dos espaços privados de lazer e serviços e com a simultânea redução e degradação dos espaços públicos – nas ruas, nas praças e nos parques estamos sujeitos à violência, à poluição, à falta de limpeza e de conservação etc. Além disso, a deficiência de políticas públicas de lazer e esporte não estimula convenientemente o acesso às instalações esportivas mantidas pelo poderes municipal, estadual ou federal. As academias de ginástica surgem, então, como alternativas no chamado “mercado do corpo e do fitness”, que vende promessas de beleza e saúde por meio de produtos e serviços. Não sendo mais restritas à classe média alta, oferecem, em um único local, práticas de ginásticas diversificadas, o que permite atender a vários interesses no âmbito do Se-Movimentar. Além de trazer para o seu interior os avanços técnico-científicos no campo do treinamento físico, as academias buscaram diversificar suas práticas, para atrair novos clientes e diminuir a evasão, pois grande parte dos usuários interrompe periódica ou definitivamente a frequência às academias. Sabemos como, ao se aproximar o verão, aumenta de forma significativa o número de clientes das academias. Dezenas de diferentes práticas são oferecidas nesses locais espalhados por todo o Brasil. Todavia, ao se beneficiarem da difusão, por parte das mídias, de um modelo de beleza corporal que se torna cada vez mais predominante (caracterizado pela magreza, no caso das mulheres, e pela hipertrofia muscular no caso dos homens), as academias, apoiadas por estratégias de propaganda e marketing, prometem “milagres” (“fique em forma para o verão em apenas um mês”, por exemplo) e, assim, atraem novos usuários, que pagam pelos serviços prestados. Mas será que a ginástica só serve para emagrecer e, assim, atender a um padrão de beleza imposto pelas mídias? Não há nela, em seus diversos tipos, outros valores e sentidos como relaxamento, bem-estar, sociabilização, melhoria da condição física geral, reabilitação física? As diversas modalidades de ginástica podem ter também estes sentidos para as pessoas. Por sua vez, as mídias associam a prática da ginástica com padrões de beleza corporal para homens e mulheres. As revistas voltadas ao público adolescente e jovem (em especial ao feminino) sugerem ou prometem explicitamente: emagrecimento (em conjugação com dietas, cosméticos e cirurgias), definição e/ou hipertrofia muscular. Nota-se ainda a tendência de indicar a ginástica aeróbica, a caminhada e a corrida com o objetivo de perder calorias (e, portanto, emagrecer), e a ginástica localizada ou musculação para definição e/ou hipertrofia muscular.
Percebe-se, ainda, que as matérias que sugerem programas de exercícios ou as propagandas de equipamentos domésticos (para realizar exercícios abdominais, por exemplo) prometem efeitos rápidos, com pouco esforço. Raramente é apresentada a fundamentação técnico-científica coerente e adequada para validar tais promessas. Poucas vezes, nas matérias das revistas e jornais, nos programas televisivos ou propagandas, a ginástica é associada ao desenvolvimento, possível para todos, de uma boa condição física geral, ou ao bem-estar, ao relaxamento e à sociabilização. Em face das promessas de obtenção de rápidas e significativas alterações na aparência corporal, muitos jovens passam a adotar condutas em certos casos prejudiciais à saúde, entre as quais se encontram as dietas “milagrosas”: receitas de sopas, saladas etc., associadas por vezes a laxantes e diuréticos – que permitem redução acentuada de peso corporal em poucos dias ou semanas. Contudo, a perda de peso com base em dietas que preconizam a ingestão excessiva ou restrita de um ou mais macronutrientes (carboidratos, gorduras ou proteínas) pode ser prejudicial à saúde humana, uma vez que promove sobrecarga sobre as estruturas orgânicas durante a absorção e/ou excreção dos nutrientes, ou carência deles. Uma variedade de suplementos alimentares encontra-se disponível no mercado do “corpo perfeito”, como os “queimadores de gorduras”, os energéticos, os construtores (aminoácidos e precursores) ou anabolizantes, e os complementos vitamínicos e minerais. Entretanto, seu uso indiscriminado, em detrimento de uma alimentação convencional adequada, pode expor o organismo a situações de risco, visto que muitos produtos comercializados como suplementos não possuem comprovação científica quanto à segurança ou à eficácia de seu uso. Por vezes, a suplementação de alguns nutrientes e substâncias, já presentes no organismo em quantidades normais ou próximas do normal, eleva sua proporção em relação a outros nutrientes e substâncias, deixando o organismo suscetível a distúrbios diversos, incluindo doenças como diabetes. Outra prática comum no mercado da beleza é a difusão de propagandas relacionadas a programas e/ou produtos envolvendo exercícios físicos. Em geral, eles propõem modificações nas formas corporais (hipertrofia ou definição muscular, redução de medidas) em curto espaço de tempo, metas difíceis de serem atingidas quando o exercício é utilizado isoladamente. Notadamente, a região abdominal constitui um dos principais alvos desse mercado, cujo propósito, de definição muscular, impulsiona o lançamento de vários modelos de equipamentos e de rotinas de exercícios direcionados à aquisição de um abdome bem definido. Entretanto,
a obtenção de resultados semelhantes àqueles mostrados pelos modelos nas propagandas só se torna possível mediante a adoção, simultaneamente, de dietas que favoreçam a redução da gordura corporal total e a utilização dos equipamentos e exercícios propostos.

ORGANISMO HUMANO, MOVIMENTO E SAÚDE: PRINCÍPIOS E EFEITOS DO TREINAMENTO FÍSICO
Com o avanço do conhecimento sobre os diversos fatores que contribuem para estabelecer a condição de saúde no âmbito individual e/ou coletivo, a disseminação de informações sobre a importância de um estilo de vida fisicamente ativo vem obtendo destaque nas últimas décadas. No entanto, para que a atividade física possa promover efeitos positivos sobre o organismo, é necessário atender a princípios básicos fundamentados em estudos científicos (princípios do treinamento), os quais subsidiam a elaboração e o desenvolvimento de programas de exercícios voltados à melhoria das capacidades físicas tanto de atletas quanto de não atletas.
Princípios do treinamento físico
Sobrecarga: está relacionada ao aumento da carga de trabalho físico, que deve ser gradual e progressivo, de modo a estimular o organismo a exercitar-se acima do nível ao qual está habituado, induzindo adaptações biológicas que aprimorem suas características morfológicas e/ou funcionais. Para tanto, deve adequar diferentes combinações entre frequência, intensidade e duração e/ou volume de treinamento, conforme a capacidade física a ser desenvolvida. A frequência refere-se ao número de sessões semanais de determinado exercício; a intensidade, ao nível de dificuldade do exercício – quantidade de peso e velocidade suportados; a duração ou volume, ao período de tempo durante o qual o programa é realizado (semanas, meses), ou tempo gasto em uma única sessão de exercícios (minutos, horas).
Continuidade: preconiza que a melhoria na capacidade funcional depende da regularidade com que a prática de atividades físicas é realizada, e que as adaptações biológicas pretendidas resultam da adequada alternância entre esforço e recuperação.
Reversibilidade: também referido como “uso e desuso”, diz respeito ao declínio na capacidade funcional, decorrente das perdas das adaptações biológicas resultantes do programa de exercícios, que ocorre quando a atividade física é suspensa ou reduzida. Representa um reajuste do organismo ao baixo nível de solicitação das capacidades físicas, tornando evidente o caráter transitório e reversível das melhorias oriundas da prática regular e contínua de exercícios físicos, especialmente quando essa regularidade deixa de ser mantida.
Especificidade: explica que o aprimoramento e o desenvolvimento de determinada capacidade física
(força, flexibilidade etc.) decorrem de adaptações fisiológicas e bioquímicas específicas para determinados tipos de atividades físicas, conforme diferentes combinações entre volume e intensidade de esforço. Por essa razão, a melhoria da flexibilidade requer exercícios de alongamento muscular, enquanto exercícios aeróbios desenvolvem a resistência cardiorrespiratória.
Individualidade: diz respeito ao modo como as diferentes características e condições de cada indivíduo interferem nos efeitos pretendidos por um programa de exercício. Compreende aspectos relacionados às diferenças entre os sexos; ao estágio de maturação biológica; ao nível inicial de condicionamento físico; aos aspectos genéticos do praticante; aos fatores ambientais e/ou comportamentais (alimentação, hábitos de repouso e sono, existência ou não de doenças, aspectos motivacionais etc.).
Considerando-se a obediência ou não a um ou mais dos referidos princípios, por ocasião da elaboração ou execução de um programa de exercícios, estes podem expor o organismo a consequências diversas, que englobam tanto efeitos positivos quanto negativos sobre a condição de saúde dos praticantes. Quanto aos aspectos fisiológicos e morfológicos, o treinamento físico, dependendo de suas características e das especificidades de seu estímulo, pode produzir efeitos positivos ou negativos sobre vários sistemas orgânicos: sistema metabólico/energético (modificação na quantidade e na atividade de enzimas e organelas relacionadas ao metabolismo aeróbio ou anaeróbio); sistema cardiovascular e pulmonar (modificações nos músculos cardíacos e respiratórios, assim como em seus parâmetros durante o repouso ou o exercício); sistema musculoesquelético (alterações no tônus muscular e na densidade óssea); sistema nervoso autônomo (produz relaxamento ou excitabilidade); sistema nervoso central (aumento da circulação sanguínea no cérebro); sistema visual (melhoria no desempenho visual); sistema sensorial cinestésico (melhora da capacidade de desempenho muscular, ou disfunção da propriocepção e surgimento de lesões); sistema imunológico (estimulado em atividades leves e de longa duração, mas prejudicado em treinamento muito intenso); e sistema endócrino (liberação de hormônio do crescimento e melhoria do sistema regulador hormonal). Quanto aos aspectos psicossociais, destacam-se como efeitos positivos da atividade física/exercício: redução de vários sintomas de estresse, da ansiedade, do nível de depressão moderada e da instabilidade emocional; melhora da autoestima, do autoconceito, da imagem corporal e dos relacionamentos interpessoais. Em contrapartida, o treinamento excessivo encontra-se associado a efeitos negativos tais como: transtornos psicossomáticos ou gastrointestinais; alterações de apetite e sono; desvios de comportamento; aumento da ansiedade e da agressividade; esgotamento físico e psicológico (burnout); distúrbios cognitivos (falta de atenção e concentração, esquecimento, bloqueio mental) e síndrome de saturação esportiva, além da diminuição dos sentimentos de eficácia, de alegria, de realização, de competência e de controle. Cabe ressaltar que a infância e a adolescência representam períodos de grande capacidade de adaptação orgânica que, apesar de diminuir com o avanço da idade, mantém-se até o fim da vida. Portanto, favorecer a percepção do aluno quanto aos princípios e aos efeitos dos programas de atividade física/exercício possibilitará maior compreensão sobre a importância da atividade física regular na melhoria da condição física e seus benefícios sobre o estado geral de saúde.